Beto e Domingos viram a meia-final noutras cores
Beto Pimparel e Domingos Paciência já viveram muitos jogos de futebol, mas nenhum nos tons proporcionados pela experiência que, na meia-final da Allianz CUP desta quarta-feira, entre SL Benfica e Estoril Praia, lhes permitiu ver o desafio pelos olhos de um daltónico. Num camarote partilhado com adeptos que sofrem dessa perturbação que não permite distinguir as cores, usaram os óculos desenvolvidos pela ColorADD para simular essa condição. Os vogais do Conselho de Administração da Fundação do Futebol declararam-se surpreendidos por esta realidade.
Domingos Paciência admitiu que esta ação de sensibilização resultou numa "dor de cabeça" causada pela estranheza de decifrar as "cores diferentes", com o "Benfica e a pista de tartan em tons escuros" - o vermelho é um desafio para os daltónicos. A impressão mais forte, porém, foi a "surpresa" ao saber que "existem 350 milhões" de pessoas que sofrem desta condição.
O impacto da experiência deixou também Beto Pimparel "surpreendido". "É extraordinária a forma como as pessoas daltónicas veem o jogo. Estive a falar com algumas delas, durante o jogo, e não sabia que havia tantos jogadores daltónicos. Fiquei ainda mais sensibilizado", afirmou a propósito deste desafio que o deixou ainda mais convicto de que "é fundamental tornar o desporto inclusivo para todos."
A ColorADD, parceira da Fundação do Futebol - Liga Portugal nesta ação, desenvolveu um código que permite aos daltónicos identificar as cores. "Portugal é pioneiro, a nível mundial, numa boa prática", comentou Miguel Neiva, criador desta ferramenta.